Projeto Evangelístico para Igrejas em Pequenos Grupos

Evangelismo Integrado

Jesus e Seus discípulos inauguraram a era do evangelismo. Antes deles essa palavra era desconhecida. Levar as boas novas do Evangelho tornou-se a grande paixão da Igreja, e todos os seus membros já nasciam no reino de Deus como missionários.

Jesus disse: “Recebereis poder ao descer sobre vós o espírito Santo, e sereis minhas testemunhas” (Atos 1:8). Para a missão de testemunhar, havia uma condição: receber poder. O poder deveria ser buscado para que a condição fosse preenchida.

Cumprindo-se esses requisitos o resultado seria apenas uma questão de tempo. Tempo este que chegou para a Igreja de nossos dias. Nada mudou. A promessa é a mesma: recebereis poder. A missão é a mesma: testemunhar.

Precisamos aplicar agora o modelo utilizado por Jesus e praticado pelos apóstolos. Quando Jesus iniciou Sua Igreja, chamou um Pequeno Grupo de doze pessoas. Não foi por acaso. Não chamou onze porque houvesse poucos, nem treze porque houvesse muitos; mas exatamente doze pessoas. Desses doze, Jesus dividiu em seis duplas. Assim como fez ao grupo de 70 discípulos. Tempos depois, quando um grupo maior, de 120 pessoas, recebeu a poder do Espírito Santo, foram à praça e pregaram o histórico sermão do pentecostes, e o resultado foi quase três mil pessoas convertidas (Atos 2:1-4).

Nesse primeiro momento da Igreja foram estabelecidos os marcos principais do evangelismo. Pode-se perceber que o evangelismo tinha duas frentes: Evangelismo Público e o Evangelismo Pessoal. O Evangelismo Público seria aquele realizado para grandes auditórios, em local amplo e público. O Evangelismo Pessoal seria aquele realizado em local privado, para poucas pessoas, ou individualmente.

Para realizar o Evangelismo Público Deus deu a alguns o dom de “evangelista”. São pessoas que têm a capacidade de ministrar a Palavra de Deus para um grande número de pessoas, e levá-las coletivamente a conhecer a Jesus. Para realizar o Evangelismo Pessoal, Deus deu a outros o dom de “ensinar”, de “mestre”, de “professor”. Esses têm a capacidade de ensinar o Evangelho em grupos pequenos ou individualmente. Geralmente, os que pregam para grandes públicos são os evangelistas; e os que pregam para pequenos públicos ou para indivíduos são os obreiros ou instrutores bíblicos, membros de igreja e líderes de Pequenos Grupos.

Esses dois modelos bíblicos de evangelização estavam separados, pareciam mesmo irreconciliáveis, por se tratarem de métodos, práticas, lugares, pessoas, resultados diferentes. Tudo parecia diferente, distante e concorrente. Diferentes sim, concorrentes não.

 

Harmonizando-se

Se os Pequenos Grupos são uma idéia “dAquele que não pode errar” (3TS,84), é razoável esperar que eles contribuam em todas as áreas do seu envolvimento, principalmente na evangelização, que é um dos seus objetivos.

Até recentemente havia constrangimentos quando se tratava de fazer evangelismo público nas igrejas que funcionavam em Pequenos Grupos. No momento do evangelismo os Pequenos Grupos se perdiam no processo e ficavam sem saber o que fazer. Em algumas igrejas os Pequenos Grupos paravam suas atividades por dois meses ou mais, e quando terminava a série de evangelismo, os mesmos estavam desarticulados, desmotivados, desorganizados, e quando tentavam reunir-se novamente, não conseguiam; a não ser com graves e às vezes irrecuperáveis prejuízos, criando frustração e descrédito ao programa de Deus.

Parecia existir uma concorrência entre Evangelismo Público e Pequenos Grupos, sugerindo atividades exclusivas. Sabíamos, e agora podemos demonstrar que não são atividades nem exclusivas, nem concorrentes; mas inclusivas e cooperativas, dependendo dos métodos e estratégias utilizados.

 

A Prática

Um grupo de 33 estudantes do terceiro ano de teologia do SALT-IAENE, supervisionados pelo Prof. Dr. Natanael Moraes, juntamente com um grupo de pastores da Missão Sergipe Alagoas desenvolveram uma experiência inédita integrando Evangelismo Público / Pequenos Grupos / Escola Sabatina nas igrejas da cidade de Maceió. As perspectivas apontam para uma solução definitiva e sugerem um caminho maravilhoso para o Evangelismo Integrado.

Sob a égide Nasce Uma Revolução, os Pequenos Grupos e a Escola Sabatina uniram-se ao programa e estão dando uma contribuição inestimável ao evangelismo. O novo modelo sugere mais que uma alternativa; sugere um caminho definitivo para as campanhas de evangelismo público nas igrejas e com as igrejas em Pequenos Grupos.

Os Pequenos Grupos, antes ameaçados pelo Evangelismo Público, agora integrados, experimentam uma nova vida, uma renovada alegria, um verdadeiro reavivamento espiritual e evangelístico.

 

Providências Prévias

O preparo prévio da igreja e da comunidade vai determinar o potencial da campanha. Naturalmente que, quanto maior o preparo e os recursos utilizados, melhor será o resultado.

1. O pastor deve preparar as lideranças dos Pequenos Grupos.

Coordenadores e líderes de Pequenos Grupos devem saber tudo sobre a campanha, com suas datas e eventos organizados e as informações nas mãos dos mesmos.

2. Os Pequenos Grupos precisam estar organizados e operantes.

Antes da campanha os Pequenos Grupos precisam ser avaliados e revitalizados e, se necessário, reorganizados; seus membros devem conhecer suas tarefas e compromissos.

3. Materiais nas mãos dos líderes.

Os materiais a serem utilizados (folhetos, convites, estudos, etc.) devem ser apresentados, explicados e colocados nas mãos dos líderes.

4. Áreas de trabalho dos Pequenos Grupos.

A região a ser evangelizada deve ser dividida e repartida entre as duplas e membros dos Pequenos Grupos; os membros acrescentam à lista de interessados de sua geografia os nomes de seus amigos, colegas, parentes, vizinhos, e outros com quem já estejam trabalhando ou pretendam trabalhar.

5. A igreja deve ser cuidadosamente preparada espiritualmente.

Um bom preparo espiritual deve ser desenvolvido, e cada membro deve receber um cartão da “Sala 57”, no qual colocará os nomes das pessoas por quem irá orar e trabalhar.

Vantagens

Ao realizar o Evangelismo Público integrado com os Pequenos Grupos e Escola Sabatina foram verificadas inúmeras vantagens. As principais são:

  1. Os membros dos Pequenos Grupos se envolvem e se comprometem com os futuros novos membros.
  2. Os novos membros já nascem dentro de um Pequeno Grupo.
  3. Os novos membros entram na igreja com um número de amigos suficiente para seu bem-estar e permanência na igreja.
  4. A igreja se reaviva evangelísticamente.
  5. Membros novos e antigos crescem juntos.
  6. Os novos membros já nascem missionários.
  7. A igreja cresce equilibrada.
  8. Responde a questão incômoda da apostasia nos grandes evangelismos.
  9. Os novos membros não se ressentem quando o evangelista vai embora; não se sentem órfãos e abandonados ao final da campanha; líder e membros do seu Pequeno Grupo permanecem com eles, dando-lhes apoio no seu crescimento.
  10. A igreja assume e se sente responsável pelo evangelismo.
  11. A igreja não fica assistindo o nascimento dos novos membros; pelo contrário, ela gesta e dá a luz aos novos membros.
  12. Os Pequenos Grupos cuidam de suas “crianças” espirituais.
  13. Os novos membros já nascem alunos e numa Classe da Escola Sabatina / Pequenos Grupos.
  14. Os novos membros percebem que a Igreja Adventista funciona com os Cultos na igreja e os Pequenos Grupos nos lares.
  15. Há um lugar para os novos membros levarem confiantemente seus amigos e familiares – os Pequenos Grupos.

Temas e Calendários

O evangelismo deve ser preparado tendo em vista colocar nos fins de semana, feriados e suas vésperas os principais temas da conferência. São os dias em que temos maior volume de público.

O estudo sobre o sábado deve sempre acontecer numa sexta-feira, da segunda para a terceira semana de estudos bíblicos, pelo menos. A essa altura os interessados já teriam base, uma certa convicção da verdade e confiança nas pessoas da igreja, necessárias para tomarem decisões que implicam na mudança de vida, tal como a guarda do sábado.

Os membros dos Pequenos Grupos devem conhecer o cronograma da conferência e, em particular, quando será tratado o assunto da sábado. O apoio dos membros é fundamental na decisão e ensino da guarda do sábado. Os irmãos devem compreender que estão lidando com crianças na fé; pessoas que estão fazendo tudo novo e pela primeira vez. O desempenho do novo membro depende do exemplo e paciência dos seus irmãos mais antigos na fé.

O Que Acontece

No dia do início da conferência (que deve ser no sábado), o programa da Escola Sabatina deve ser realizado apenas com as partes essenciais, para abreviar o tempo. Logo em seguida, serão dadas as orientações finais, com a entrega do material de evangelismo a ser utilizado. Os líderes recebem o material e o passam para as duplas dos seus respectivos Pequenos Grupos.

A igreja inteira sai para um “Sermão Vivo”. Ao invés de se assentar e ouvir mais um sermão, ela sai para testemunhar, para viver o sermão de evangelismo que seria pregado. Cada Pequeno Grupo sai com suas duplas para a região onde o mesmo se reúne. Ali entregam os convites aos seus amigos e vizinhos, pessoalmente, confirmando a sua presença à noite na reunião.

Sábado à tarde, as duplas poderão entregar convites a amigos, colegas e familiares de outras áreas. À noite, um pouco antes do início da programação, sugerimos que cada membro dê uma passada nas casas daqueles que moram mais próximo, levando-os para a conferência.

Dicas Importantes

Durante todos os dias a conferência funciona normalmente. Na sexta-feira, dia de reunião de Pequenos Grupos, os mesmos funcionam na igreja ou no local onde se realiza o evangelismo. Jamais dar a menor idéia de que os Pequenos Grupos vão parar nas conferências.

Vamos apresentar agora o novo modelo de Evangelismo Público integrado aos Pequenos Grupos e Escola Sabatina com todos os passos na evolução do programa. Nesse cronograma apresentaremos apenas os dias relacionados com o evangelismo que implicam na atuação dos Pequenos Grupos e Unidade de Ação da Escola Sabatina.

 

A EVOLUÇÃO DO PROGRAMA

 

DATAS

TEMAS

EVENTOS Pequenos Grupos
Sexta “D” Evangelismo Apresentação do material a ser distribuído no 1o. mutirão, e consagração do PG PG se reúnem normalmente nos lares
Sexta I Semana de saúde (Como deixar de fumar) Início dos temas bíblicos será no dia seguinte, sábado, ou no domingo PG marcam posição na conferência

– o local é dividido e identificado através de cores ou com o nome dos PG como nas assembléias

Sexta II Evangelístico O pregador apresenta os líderes de PG e fala da próxima sexta PG encorparam novos membros de sua geografia

– a triagem é feita durante a semana

Sexta III Sobre o sábado Promoção do festival sabático

Líderes cumprimentam seu PG e levantam pedidos de oração

– os pedidos devem ser escritos e distribuídos aos membros do PG

Duplas buscam seus interessados para o PG na conferência
Sábado I* Pro 1a. festa sabática

Organização das novas unidades de ação ES/PG, caso ainda não funcione assim

Escola Sabatina se reúne em PG, líderes dirigem o estudo da lição

– deve ser feito um programa sabático especial, monobloco e mais curto

Sexta IV Evangelístico

– reforçar a presença na escola sabatina

Líderes controlam a presença, pedidos de oração e apresentam o tema da noite

– o conferencista faz o resumo e a conclusão do tema

Duplas buscam os seus interessados e fazem com eles a entrada do sábado
Sábado II Programa sabático 2a. festa sabática

Aprimoramento das novas unidades de ação ES/PG

Escola Sabatina se reúne em PG, líderes dirigem o estudo da lição

– deve ser feito um programa mais evoluído, porém, ainda monobloco e mais curto

Sexta V Evangelístico

– reforçar a presença na escola sabatina

PG se reúnem nos lares

Apelo e reforço para o batismo

– conferencistas e coordenadores visitam os PG

Durante a semana as duplas convidam seus interessados para o PG nos lares

– fazem pôr-do-sol com eles

Sábado III Programa sabático 3a. festa sabática

Aprimoramento das novas unidades de ação ES/PG

Escola Sabatina se reúne em PG, líderes coordenam o estudo da lição
Sexta VI Evangelístico

– reforçar a presença na escola sabatina

PG se reúnem nos lares

– conferencistas e coordenadores visitam os PG

Durante a semana as duplas convidam seus interessados para o PG nos lares

– fazem pôr-do-sol com eles

Sábado IV Programa sabático 4a. festa sabática

Aprimoramento das novas unidades de ação ES/PG

Escola Sabatina se reúne em PG, líderes coordenam o estudo da lição
Segunda I Planejamento Organizar/definir o planejamento de continuidade e conservação “Sala 57”
Terça I Seminário Treinamento e reciclagem para líderes de PG “Sala 57”
Sexta VII Evangelístico

– reforçar a presença na escola sabatina

PG se reúnem nos lares

– conferencistas e coordenadores visitam os PG

Implantar o programa

“Sala 57” com os novos membros

– fazer pôr-do-sol com os novos membros

Sábado V Programa sabático Estudo nas unidades de ação ES/PG

Tarde – Treinamento missionário aos novos membros; JA / Santa Ceia

Noite – Programa social para integrar novos membros dos PG, seus amigos e familiares
Terça II Seminário Treinamento e reciclagem para líderes de PG Reorganização das Duplas
Sexta VIII Lição de PG PG se reúnem nos lares, novos membros recebem lição de PG Membros incentivam novos membros a trazerem seus interessados

– fazer pôr-do-sol com os novos membros

Sábado VI Batismo

Festa ao Senhor

I Assembléia de

Pequenos Grupos

PG se reúnem em assembléia

* O “Sábado I” vem sempre após a primeira sexta-feira em que se apresenta o estudo sobre o sábado; ou seja, o primeiro sábado para os novos conversos – a festa sabática.

Importante:

  1. Na ocorrência de cada batismo, os novos membros são recebidos por seu Pequeno Grupo, como o seu mais novo filho; a partir daí, os Pequenos Grupos são responsáveis pelos cuidados necessários à sua integração e crescimento espiritual.
  1. No momento do Batismo, ou na próxima reunião na igreja ou no Pequeno Grupo, os novos membros recebem o seu “Kit Novo-Membro”.
  1. Até a primeira reunião subseqüente ao Batismo, o novo membro deve conhecer o seu irmão “guardião da fé”; este ficará como responsável pessoal por sua integração e desenvolvimento no corpo de Cristo.
  1. O novo membro deve ser imediatamente integrado ao evangelismo, formando uma dupla com o seu “guardião”, ou um membro mais experiente do seu Pequeno Grupo.

 

 

Umberto Moura

 

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