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Qua, 18 de Janeiro de 2012 11:14

Há Cem Anos

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Há cem anos a história registrou um período tão promissor e de serena paz que ficou conhecido como “a bela época”.  O mundo parecia em festa com incontáveis clubes de jazz em cada esquina. O cancan, o cinema experimental e o impressionismo deleitavam os cosmopolitas. Em dois anos estouraria a Primeira Guerra Mundial, e tudo não passou de uma imensa frustração. O choque foi tão violente que, para Eric Hobsbawm, por exemplo, existe um século político dentro do século cronológico: vai de 1914, quando começa a guerra, a 1989, quando cai o Muro de Berlim. Nesse meio tempo, viu-se de tudo: do mais abjeto fascismo ao mais descarado hitlerismo ou stalinismo.

 

Quase cem anos depois do mais famoso naufrágio da história – o do transatlântico Titanic, em 1912, no Atlântico Norte –, um livro indica que a tragédia teria ocorrido por um erro de pilotagem, diferentemente do que sempre se imaginou. Até então, se acreditava que o acidente aconteceu porque a embarcação navegava a uma velocidade muito alta e não conseguiu desviar a tempo do iceberg com o qual acabou colidindo.

No entanto, o livro Good as Gold (Bom como o Ouro, em tradução livre), escrito por Louise Patten, neta de um marinheiro sobrevivente do desastre, Charles Lightoller, afirma que o navio tinha tempo suficiente para desviar do bloco de gelo, mas o timoneiro Robert Hit se desesperou, entendeu equivocadamente as instruções e virou a embarcação para o lado errado. Quando a rota foi corrigida, logo depois, já era tarde, e o choque acabou acontecendo.

Mesmo assim, conforme Louise, todos os passageiros e tripulantes poderiam ainda ter sido salvos, caso o Titanic tivesse permanecido parado, dando tempo para a chegada do resgate. A tripulação, porém, tentou mover o navio de novo, fazendo com que a água invadisse rapidamente a embarcação pela rachadura no casco. A tragédia deixou 1.517 mortos. Outras 706 pessoas sobreviveram.

 

O mundo parece estar novamente em festa. O povo canta e dança nas praças, nas ruas, nos clubes, em todos os lugares. Apesar das constantes tragédias, o povo parece ignorar seu próprio destino. O fim do mundo anunciado para o fim deste ano, dezembro de 2012, apresenta-se como mais uma piada de mau gosto desses ignorantes e supersticiosos.

A igreja também está em perigo. Corre-se o risco de não entendermos a ordem e seguirmos para uma direção errada. Muitos farão isso, provocando sua própria tragédia e sua morte. A igreja que surgiu para salvar o mundo dos seus pecados parece agora deslumbrada com o próprio mundo, e já não sabe muito bem fazer a separação entre igreja e mundo.

Exatamente cem anos depois do Titanic, uma outra tragédia marítima acaba de acontecer. Desta vez em pleno mar mediterrâneo, uma região considerada segura para a navegação, quando o cruzeiro italiano Costa Concódrdia, um transatlântico que levava 4.229 pessoas à borda, colidiu contra as rochas em águas da ilha italiana de Giglio na sexta-feira (13/01/12) à noite. A companhia proprietária da embarcação, Costa Cruzeiros, admitiu que houve "erro humano" e que o capitão, Francesco Schettino, não respeitou o regulamento, aproximando-se até 150 metros da costa.

 

Temos desde a Bíblia uma ordem muito clara: “Ide, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28:18-19). Essas são as ordens da Igreja, não podemos nos equivocar; mas se o fizermos vamos naufragar também, com preciosas perdas de vidas. Cem anos depois da bela época, o mundo poderá estar novamente iludido, e completamente perdido. Talvez uma terceira guerra esteja mais próximo do que também imaginamos, ou o próprio fim do mundo como dizem os “agoureiros”. O mais trágico, porém, é que podemos estar negligenciando, se não, desobedecendo as ordens do Mestre.

 

Umberto Moura

 

Há Cem Anos
Autor  Data 18-01-2012 Tamanho 13.36 KB Download 36

Umberto Moura

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